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outubro 22, 2012

Orientação vocacional não deve se limitar às escolas

Pesquisa sobre orientação vocacional destinada a alunos do ensino médio mostra que a escolha profissional migrou do âmbito familiar para ser mais uma atribuição das escolas particulares.
 
A psicanalista Deborah Bulbarelli Valentini, que realizou o estudo em seu mestrado na Faculdade de Educação (FE) da USP, afirma que, no entanto, há a necessidade de se dimensionar quais são os objetivos da orientação. Caso isto não ocorra, “corre-se o risco de que ela se transforme em apenas mais um produto a ser vendido pelas escolas particulares”.

A psicanalista defende que a escola deve instruir o aluno, mas há a necessidade que a família não se ausente deste processo.
 
“A escolha profissional como qualquer outra escolha importante que o adolescente faz, será determinada por aspectos inconscientes, pelo que se transmite de geração a geração familiar”, destaca.

O estudo buscou compreender os discursos que circundam e direcionam a educação atual, o modo como as mudanças sócio-político-culturais levaram a orientação vocacional a se transformar em um processo psicopedagógico e até que ponto a escola realmente está apta a auxiliar na escolha de uma profissão.
 
Para a análise, a pesquisadora utilizou a definição do psicanalista Jacques Lacan em que o discurso é condição para que haja laços entre as pessoas, além de explicitar as relações de poder e de influenciar os posicionamentos que as pessoas assumem diante do mundo.

Ela explica pode perceber grandes alterações na forma de percepção da relação escola, aluno e família. “A escola a cada dia alarga suas responsabilidades e abrange até mesmo atribuições que no passado eram da família. Ao mesmo tempo que a família se torna menos presente na educação”, observa.

A pesquisadora considera que a escolha de uma profissão pelos adolescentes tem sido cada vez mais caracterizada por sofrimentos e ansiedades. Dentro dos fatores que alicerçam tais sentimentos estariam a diminuição do convívio familiar, uma certa visão de ciência que privilegia a informação e o discurso capitalista em que se propõe às pessoas um objeto de fácil consumo e rápido.

Dentro da mentalidade capitalista de que tempo é dinheiro, no corre-corre diário, “nem sempre é possível disponibilizar tempo para questões familiares”, aponta Deborah. Assim, a busca por estas soluções rápidas, práticas e ‘científicas’ torna-se frequente. É preferível pagar para se resolver o problema. “É sob esta perspectiva que a orientação profissional toma outras dimensões e acaba por se inserir no rol de produtos a serem oferecidos sob o rótulo de educação diferenciada”, conclui.

A dissertação de mestrado Impasses pedagógicos contemporâneos: um estudo sobre a orientação vocacional em escolas foi orientada pelo professor Rinaldo Voltolini, da FE.

Sandra O. Monteiro
Portal Aprendiz
27/08/2012
São Paulo, SP
         

março 06, 2012

ESCOLA E FAMÍLIA

Ancoras de sucesso nas decisões para o Vestibular

Uma maratona. É isso que os jovens brasileiros precisam enfrentar para ingressar no ensino superior: processos seletivos. 

Em nosso País, as chances de melhores condições de vida são maiores para àqueles que fazem a opção pelo ensino superior e, enquanto não houver vagas para o número de interessados, haverá processo seletivo, ressalta a psicóloga Selena Maria Garcia Greca. Mas, as alternativas ao vestibular único começam a aparecer, tais como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular seriado.


É preciso admitir que existem pessoas que não estão prontas para escolher. Às vezes, o caminho é oferecer ajuda adequada e as ferramentas corretas para que ele possa fazer esta escolha. Seis meses fazem muita diferença na vida de um jovem, neste momento. Não pode se um tempo de espera passiva.



No currículo escolar brasileiro, não é obrigatório que as instituições de ensino incluam disciplinas para preparar os estudantes para a escolha profissional, conforme o Ministério da Educação (MEC). Segundo o estudo do Portal Educacional, apenas 11% das escolas particulares oferecem esse suporte aos estudantes, sendo que a realidade das escolas públicas é ainda pior, afirma a psicóloga.

Para a especialista, é fundamental a participação dos colégios nesse projeto de vida dos alunos. "Se o currículo não prioriza este trabalho, que as escolas procurem favorecer esse processo ao longo do ensino médio" sugere. E esta orientação não deve ser somente às vésperas do vestibular, mas gradualmente, para que o aluno possa ter tempo de buscar informações no mercado e chegar naturalmente a uma conclusão.

Os professores são os grandes aliados nessas horas. Através de conversas informais, até mais do que por simples tarefas de orientação. Neste momento, aproximar família e escola é uma ótima estratégia, pois torna-se fundamental que os pais relembrem seus processos de escolhas e vejam como podem participar de um momento tão importante para seus filhos.

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março 05, 2012

Mais da metade dos jovens não sabe a carreira que vai seguir

Estudo com 2.500 alunos do 3º Ano mostra que 54,8% dos jovens não decidiram sobre o curso superior.

Autoconhecimento e pesquisa sobre profissões podem ajudar na escolha


A data da inscrição do vestibular está chegando e, mesmo sem certeza, a estudante Letícia de Sousa Patrus Pena, 17, precisou escolher o caminho do futuro profissional. A indecisão é um sentimento comum entre 54,8% dos jovens brasileiros do último ano do ensino médio, que não estão certos sobre o curso para o qual vão prestar vestibular. O dado é de um estudo feito pelo Portal Educacional, da Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, em abril e maio de 2011, com 2.514 estudantes de escolas particulares.

Letícia optou por duas áreas diferentes. Em uma universidade, fará provas para engenharia de produção e, em outras, para direito. De qualquer maneira, a estudante acredita que é cedo para tomar a decisão.

Indecisão.
Letícia não está certa sobre o caminho certo;
engenharia de produção ou direito?
O autoconhecimento é a chave para se chegar a uma conclusão sobre a carreira, orienta a psicóloga e especialista em orientação vocacional Selena Maria Garcia Greca, coordenadora do estudo. Ela sugere que o jovem faça reflexões sobre habilidades e gostos, além de procurar conhecer a fundo as mais variadas profissões. A dica é pesquisar na internet e conversar com profissionais e alunos de graduação.

A busca pelas possibilidades deve ser feita até mesmo pelos jovens que decidiram a profissão "na infância". A recomendação vale para quem escolhe a carreira se baseando no retorno financeiro. "Quando só olha o salário, o jovem não está procurando se conhecer nem se informando sobre o curso", diz Selena.

Quem reflete e conhece as áreas tem mais chances de permanecer no caminho. Do contrário, fará parte de cerca 45% dos graduandos que desistem do curso nos primeiros anos, segundo Selena. E mudar de área, alerta a psicóloga Delba Barros, coordenadora do Programa de Orientação Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais, não significa que o estudante se encontrou. "Muitos vão para o curso superior sem a reflexão devida. Ir para outro pode ser a repetição da mesma atitude", diz, admitindo que a mudança pode ser positiva se bem pensada.

Os especialistas ressaltam que, ao longo da escolha, o apoio da família é fundamental. É inevitável que os pais influenciem os filhos e, por isso, eles precisam ser claros. Eles podem dizer que determinada profissão é difícil e levar o jovem a informações consistentes. 
Números UFMG. 
Em BH, 6.400 alunos ingressaram na graduação, no primeiro e segundo semestre. Do total de 30.957 estudantes, 172 pediram reopção de curso no primeiro semestre de 2011.


Uma Orientação Profissional como vc nunca viu.
Autoconhecimento puro!


dezembro 14, 2011

INDEFINIÇÃO NA UFMG

Atraso na divulgação da lista dos aprovados da 1ª Etapa do vestibular deixa estudantes angustiados. Mesmo assim, candidatos enfrentam maratona nos cursinhos.

Mais uma semana de angústia e nervosismo para os 61,5 mil candidatos ao vestibular da UFMG. 

Beatriz Zanon e Bárbara Silveira estudam para a segunda etapa sem saber se passaram na primeira

Apesar de o edital do processo seletivo prever a convocação para a segunda etapa a partir de sexta-feira, a instituição praticamente descartou a divulgação dos resultados ainda esta semana. A informação foi dada ontem pela coordenadora da Comissão Permanente do Vestibular, Vera Resende. Ainda não recebemos os dados do Enem          e depois que o Ministério da Educação encaminhá-los teremos de processar todas as informações para fazer a divulgação. Por isso, nada deve sair esta semana, disse.

Mesmo sem uma decisão final da UFMG, os mineiros lotam cursinhos preparatórios de olho na segunda etapa do processo seletivo, que será aplicada de 3 a 10 de janeiro. Ansiosos, os estudantes reclamam do fato de que, com a substituição da primeira etapa do concurso pelo Enem, eles não têm sequer a chance de conferir a nota de corte. Ficamos perdidos e estudando sem saber se temos chance de ser aprovados. Conferimos o gabarito da prova do Enem, mas isso não é garantia de nada. Essa dúvida atrapalha nosso rendimento nos estudos, diz Bárbara Silveira, de 21 anos, candidata a uma vaga em medicina.

A dificuldade dos alunos em entender a nota do exame nacional se deve ao modelo de estatística, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), usado pelo MEC na correção dos testes. Com o método, em vez da soma simples de erros e acertos, a nota final é calculada de acordo com o número de questões acertadas, com o grau de dificuldade das perguntas e também com a consistência das respostas. Outro problema apontado pelos estudantes é a mudança nas regras do vestibular deste ano. Em junho, a UFMG anunciou que a nota da prova de redação do Enem será considerada apenas na segunda etapa do processo seletivo, e não como parte da primeira fase, como ocorreu no ano passado.

INSEGUROS 

A novidade é motivo de ansiedade para jovens como Beatriz Zanon, de 20. Como a redação não está sendo levada em conta agora, ficamos ainda mais inseguros. Não dá para dizer que estamos perdendo tempo estudando sem saber se seremos convocados para a segunda etapa, pois todo aprendizado é válido. Mas considero uma falta de respeito essa angústia a que estamos submetidos desde outubro, quando fizemos as provas do Enem, lamenta Beatriz, na disputa pelo curso de engenharia química.
 O nervosismo de Igor Cruz Morais, de 20, candidato a medicina, pode ser medido pela quantidade de vezes que ele conecta a internet pelo celular. “A cada dois minutos, atualizo o site da Copeve na esperança de encontrar uma novidade. Não aguento mais viver nessa agonia. Estudo o dia inteiro com um olho nos livros e outro no celular ou no computador. Acho que já virou paranoia”, conta. Com uma rotina de mais de 15 horas de preparação diária, Igor torce pela divulgação da convocação para a segunda fase o mais breve possível.
 DICAS PARA ENFRENTAR
ESTES MOMENTOS DE TENSÃO
  • É preciso manter a calma e o otimismo. 
  • Todos devem trabalhar como se já estivessem com vaga garantida na segunda fase e se não forem convocados devem pensar que valeu a experiência, o aprendizado e o amadurecimento. 
  • É bom lembrar que ainda faltam três semanas para a próxima etapa. Esse tempo deve ser de muita garra, pois é possível fazer uma revisão completa da matéria interligando temas.